quarta-feira, 3 de fevereiro de 2016

[Drops] Gratidão

Gratidão é a reunião de quatro artigos do Oliver Sacks publicados no New York Times e traduzidos por Laura Teixeira Motta. Os textos têm um fio condutor em comum: falam sobre envelhecer e sobre a morte. Não por acaso, três desses textos são publicados depois que Sacks descobre que teve metástase de um câncer tratado nove anos antes e que lhe resta pouco tempo de vida.

Trata-se de um pequeno livro sobre aceitação, as limitações da vida e seu inevitável fim. Mas não estamos falando de um livro de auto-ajuda e encontro com a espiritualidade necessária para enfrentar esse momento (apesar do formato e proposta do livro deem a entender isso). A forma como Sacks lida com tudo é muito lúcido e baseado em sua fé na ciência e humanidade.

O primeiro artigo, "Mercúrio" é o texto mais antigo da coletânea, foi publicado em 2013, e fala do seu ânimo prestes a completar 80 anos. Oliver conta sua relação com a ciência, principalmente com os elementos químicos. Nesse texto ele já introduz sua paixão pela tabela periódica (ela mesmo!) e relaciona os elementos químicos seu número atômico com sua idade.

"My own life", publicado em fevereiro de 2015, talvez seja o artigo mais conhecido. Sack o publica quando é diagnosticado com a metastasse e sabe que lhe resta pouco tempo de vida. É o texto mais emocionante do livro, sem dúvidas. Mesmo ciente que tenha seis meses de vida, há otimismo e gratidão (alá o título do livro) para seguir produzindo, como ele fez.

quinta-feira, 28 de janeiro de 2016

[Outras mídias] Frankenstein

Por: Michelle Henriques

Quando se fala em Frankenstein, a primeira imagem que nos vem à mente é a daquele homem verde, enorme e com parafusos na cabeça, não é? Esse personagem faz parte da cultura pop mundial, mas na realidade ele é bem diferente da sua versão original. Frankenstein foi um livro escrito por Mary Shelley e publicado em 1818. Essa obra é considerada por muitos como inaugural da ficção científica. E vejam só, escrito por uma mulher.

Mary Shelley escreveu Frankenstein durante uma noite chuvosa, acompanhada de seu marido, Percy Shelley, de Lord Byron, Claire Clairmont e Polidori. Eles haviam feito uma aposta, todos deveriam escrever algum texto de terror, e Mary Shelley fez o esboço daquela que seria uma das maiores histórias do terror mundial.

O livro é dividido em volumes e começa a ser narrado através de cartas do Capitão R. Walton à sua irmã, contando um estranho caso. Em certa noite, de seu navio, ele e sua tripulação avistaram um homem de proporções absurdas em um trenó, sendo puxado por diversos cães. Naquela manhã, eles avistaram outro trenó, desta vez com um homem debilitado que eles resgatam e que começa a contar sua história.

quarta-feira, 27 de janeiro de 2016

Clubes de Leitura de Fevereiro [Leia Mulheres e Leituras Compartilhadas]

Marque na sua agenda a data dos nossos dois próximos clubes de leitura que vão acontecer em fevereiro.

Leia Mulheres - Infiel - Ayaan Hirsi Ali
Dia 24 de fevereiro, quarta-feira a partir das 19h30, na Blooks do Shopping Frei Caneca, acontece o Leia Mulheres, clube de leitura que nasceu com o propósito de ler livros escritos por mulheres. O livro debatido será Infiel de Ayaan Hirsi Ali.

Para participar do clube, basta ler o livro e aparecer no dia.


A mediação do clube fica por conta da Juliana Leuenroth (aqui d'O Espanador), Michele Henriques e da Juliana Gomes.

Para quem quiser saber mais sobre o projeto Leia Mulheres, é só clicar aqui.

Leituras Compartilhadas - O Duplo - Fiódor Dostoiévski
Dois dias depois do Leia Mulheres, no dia 26 de fevereiro acontece o nosso [Leituras Compartilhadas] e vamos discutir o nosso primeiro livro de um autor russo, O Duplo de Fiódor Dostoiévski.


Para quem ainda não sabe, o [Leituras Compartilhadas] é um clube de leitura que fazemos há dois anos e meio. Nos reunimos mensalmente para trocar impressões sobre livro. É uma roda de conversa em que todos são convidados a falar e participar.

No final de cada encontro os mediadores apresentam livros que serão votados para ser a leitura do mês seguinte. É neste momento que a batalha sangrenta acontece...

terça-feira, 26 de janeiro de 2016

O Espanador no Super Libris

Ano passado fomos convidados a fazer parte do Super Libris, do SESC tv, indicando alguns livros. Trata-se de uma série de programas sobre livros dirigida pelo escritor José Roberto Torero. São 52 programas com a duração de 26 minutos cada e num dos blocos, vlogueiros indicavam livros relacionados ao tema do episódio.

O mais legal do programa é a preocupação em tentar apresentar várias partes que compoem a cadeia do livro. De uma forma simples e direta. Todos os programas tem a seguinte divisão:

Folha de Rosto - entrevista com um escritos sobre o tema do episódio;
Ptolomeus - bibliotecas que fogem do comum e apresentam novas ideias;
Primeira Impressão - autores falam sobre livros que os inspiraram;
Prefácio - indicação de livros infanto juvenis fundamentais para crianças;
Pé de Paginas - onde o autor escreve? Qual o seu metodo, sua mania?
Orelhas - biografias de dois autores de diferentes lugares, em um minuto.
Colofão - quem são as pessoas que compõem a cadeia do livro?
Quarta Capa - booktubers falando sobre livros (e aqui estamos nós).

Para quem quiser conferir, aparecemos nos seguintes episódios:
"Literatura infantil, a pequena gigante", com o Ricardo Azevedo (falamos do Obax, do André Neves)

"Reportagem, a irmã adotiva", com o Zuenir Ventura (falamos sobre o Abusado do Caco Barcellos

Mas como dissemos, o programa tem muita gente ótima falando de livros. Abaixo algumas indicações de episódios:

"Literatura e melancolia, amantes inseparáveis", com João Gilberto Noll (a Denise Mercedes fala sobre Angústia, do Graciliano Ramos)

"Quem experimenta põe pimenta", com Nuno Ramos (a Tatianne Dantas fala sobre o livro A cidade, o inquisidor e os ordinários, de Carlos de Brito e Mello)

"Essa história de romance histórico fez história", com Ana Miranda (a Olívia fala sobre o livro Vermelho e o Negro do Stendhal)

"Quando a Periferia está no centro", com Ferréz (a Luara fala sobre o Fiel, de Jessé Andarilho)

"A memória das lutas e as lutas da memória", com Bernardo Kucinski (a Denise Mercedes fala sobre o Se é isto um homem de Primo Levi)

"Quando o Raio X revela a fratura da alma", com Sérgio Sant'Anna (a Tatianne Dantas fala sobre Uma Duas, da Eliane Brum)

"Microconto: quando menos é mais", com Evandro Afonso Ferreira (a Olívia fala sobre Cuentos breves y extraordinarios, de Borges y Casares)

"O Tietê não é mais o belo que rio que corre pela minha aldeia", com Tabjara Ruas (a Luara fala sobre o livro Dois Irmãos, de Milton Hatoum)

quinta-feira, 21 de janeiro de 2016

[Retrospectiva "bafão" 2015] Autores que morreram

Nesse ano que passou, perdemos grandes autores.

Esse momento vai parecer aquele do Oscar, com a fotinho das pessoas aparecendo. Mas vamos lembrar de algumas pessoas que nos deixaram:

Gunter Grass

Considerado um dos maiores nomes da literatura alemã no século XX, Gunter Grass, faleceu aos 89 anos em uma clínica de Lubeck no norte da Alemanha.

Vencedor do Nobel de Literatura em 1999, Grass foi um dos representantes do teatro do absurdo, movimento que aconteceu após a 2ª Guerra Mundial. O passado recente também foi tema do autor que durante os anos 1960 e 1970 destacou o passado nazista do seu país.

Durante os anos 1950 fez parte do Grupo 47, união informal de autores e críticos alemães que tinham como objetivo revitalizar a literatura alemã do pós-guerra. Outro autor que também fez parte foi Heinrich Boll. Em 1956 lança seu romance de estréia, sua obra seminal: O Tambor.

Em 2006 choca o mundo ao lança o livro de memorias Descascando a cebola, que retrata o período de 1939 a 1959, onde ele confessa que na juventude integrou por livre vontade as Waffen SS, força de elite de Adolf Hitler. O livro levantou uma grande discussão sobre a possibilidade de separação entre autor e obra. Em 2009 lançou a segunda parte de suas memórias, A Caixa.

Mais sobre o autor aqui e aqui.

quarta-feira, 20 de janeiro de 2016

[Leituras Compartilhadas] Americanah


 Nesta sexta-feira (dia 22 de janeiro) acontece nosso primeiro [Leituras Compartilhadas] do ano! Vamos discutir Americanah da Chimamanda Ngozi Adichie.

Como percebemos que muita gente nova mostrou interesse pelo clube (sejam todos bem-vindos!), achamos que esse post de apresentação se fazia necessário.

O que é?
O [Leituras Compartilhadas] é um clube de leitura que fazemos há dois anos e meio. Nos reunimos mensalmente para trocar impressões do livro. É uma roda de conversa em que todos são convidados a falar e participar. Não é, portanto, uma palestra ou mesa em que apenas os mediadores têm a palavra.

terça-feira, 19 de janeiro de 2016

[Retrospectiva "bafão" 2015] Fim da CosacNaify


Possivelmente a notícia mais impactante no mercado editorial em 2015 chegou às 21h do dia 30 de novembro. Em uma entrevista ao jornal O Estado de S.Paulo, o fundador e dono da Cosac Naify, Charles Coisac, anunciava o fim da editora.

A entrevista (entre tantas que ele deu nos dias seguintes) é muito esclarecedora sobre algumas das questões (ou motivos) do fechamento da Cosac. Para quem ainda não viu, aqui está o link.

Antes de continuar falando sobre a entrevista, vamos falar um pouco mais sobre a Cosac.

A editora surgiu em 1997, com o lançamento do livro Barroco de Liríos do artista contemporâneo Tunga. Livro com mais de 10 tipos de papéis, 200 ilustrações e ainda vinha com a fotografia de uma trança que se desdobrava chegava a mais de um metro.

Charles Cosac (que fundou a editora com o seu cunhado americano Michael Naify) começou a editar livros de uma forma que não haviam sido editados aqui no Brasil. Principalmente monografias de artistas nacionais, crítica de arte, arquitetura e design.

segunda-feira, 18 de janeiro de 2016

[Retrospectiva "bafão" 2015] Livros de Colorir


Começando nossa retrospectiva n'O Espanador, com um tema que ocupou o primeiro semestre de 2015 de uma forma avassaladora: os livros de colorir.

Quem minimamente acompanha as livrarias (nem vou falar do mercado editorial, que parece tão distante) com toda a certeza viu o fenômeno dos livros de colorir. Começando pelo original, que causou todo esse frisson, Jardim Secreto (publicado pela Sextante, editora que consegue criar/descobrir best sellers) da escocesa Johanna Basford. Segundo dados do Publishnews, ano passado somente este livro vendeu 719.626 exemplares (uau!). Como se isso não fosse suficiente, o segundo colocado da lista geral também é da mesma editora e autora: Floresta Encantada (485.222 exemplares). Ainda teve o Oceano Perdido, lançado no fim o ano, mas este vendeu ‘’apenas’’ 13.850 exemplares. [A Johanna tem um canal no YouTube e ela dá umas dicas dos livros e faz alguns tutoriais]

terça-feira, 29 de dezembro de 2015

[Mania de Listas] - Top 10/2 de 2015 - Menezes

Pessoal, esse ano tive a impressão de ser um Nick-quase-sem-cabeça dentro do blog, e essa impressão se tornou ainda mais clara quando sentei para formular a lista dos melhores do ano. Se em outras ocasiões eu explodia os limites agregando mais livros, ou sub-categorias, o que já foi dramática e injustamente classificado como trapaça, esse ano sou obrigado a cortar pela metade o top 10, vide que não há livros suficientemente relevantes para se compor um top 10. Isso ocorre pois foi meu ano de menos leitura desde a 7ª série. A boa notícia é que dificilmente eu baterei esse recorde Smiley de boca aberta

Sem mais delongas, vamos aos laureados com as primeiras posições:

5 - Vida Privada das Árvores – Alejandro Zambra (Chile)


segunda-feira, 28 de dezembro de 2015

[Mania de Listas] Melhores Leituras da Laís

Por: Laís Pragana
Oi, pessoal!

Em 2015 o meu amor pelos livros seguiu firme e forte. Acho que quanto mais leio, mais admiro esse universo potencialmente infinito da Literatura. Seguem, assim, as minhas dez leituras mais apaixonantes do ano! Que em 2016 esse sentimento possa aumentar ainda mais. ☺

10º  A Redoma de Vidro, Sylvia Plath (Globo Livros)

Leitura realizada para o primeiro encontro do Leia Mulheres, mexeu comigo por conta da intensidade que do livro transborda. Plath narra os dissabores da jovem estudante Esther – cuja jornada e personalidade são bastante baseadas na vida da própria escritora – pelos caminhos da depressão.

A assustadora apatia da protagonista ao enfrentar experiências tão sombrias dá um nó na cabeça, mas ao mesmo tempo nivela a tensão do enredo. Muito lindo e transformador!


Formas de Voltar para Casa, Alejandro Zambra (Cosac Naify)

Zambra é, sem dúvidas, um fenômeno! Li este livro para o clube de leitura d’O Espanador e o fruto da discussão foi, em minha opinião, um dos mais enriquecedores do ano.

Ainda que seja de leitura rápida, ele trouxe questões implícitas que renderam muita reflexão. A tal famigerada “auto ficção”, a questão das ditaduras latino-americanas, a intervenção da própria voz do escritor no curso da narrativa, a transição repentina da infância para a fase adulta...tudo isso torna a leitura de Formas de voltar para casa super agradável. Que venham novos livros do Zambra!

sexta-feira, 25 de dezembro de 2015

[Mania de Listas] As melhores leituras infantis do Eduardo

Por: Eduardo Rodrigues
Ho ho ho pra vocês que tão aí com a pança cheia de tender e peru ou nozes e damascos e que também tão com as veias entupidas de champanhe, destilados e fermentados, meio que jogados no sofá passeando pela timeline das redes sociais enquanto não aparece mais um espacinho maroto para
aquele último pedaço de pavê ou bolo de sorvete que tá esperando na geladeira da vó... Ho ho ho!!!

Ganhei mais uma coluna n'O Espanador, após aprovação editorial, e agora quem dá as cartas nessa minha última lista de melhores leituras de 2015 são os fofuchos e super carinhosos livros infantis... < 3

E vá-lha-me!!! Não foi nada fácil... Cheguei a um top 16 e a cabeça ficou se martelando para respeitar o top 10 (os seis títulos que ficaram de fora da lista são tão incríveis quanto os listados abaixo) que se fazem presente agora, nesse feliz natal para todos vocês que estão por aqui me lendo... =)

10º lugar: Castelo Rá-Tim-Bum, o livro

É uma escolha extremamente sentimental e nostálgica, porque este
livro está esgotadíssimo, e muito por acaso, encontrei um dos últimos
exemplares na lojinha da firma. Me agarrei imediatamente a ele, e a leitura foi deliciosa, um bálsamo de alegria que me levou de volta a infância, com boa parte dos personagens do Castelo que traziam muita
aventura para as minhas noites de criança.

Adorei tudo e acho que tanto livro quanto série deviam voltar a ficar mais em evidência para os pequenos de hoje em dia!

quarta-feira, 23 de dezembro de 2015

[Mania de Listas] Melhores leituras do Kalebe

2015 foi um ano de poucas leituras. Voltei a estudar e foi bem difícil de acompanhar as leituras "normais" com a academia.

Dentro dessa loucura, os clubes de leitura foram uma alternativa para minhas leituras. Boa parte delas foram de livros do [Leituras Compartilhadas] ou do Leia Mulheres. Apesar dessa dificuldade em ler mais, foram ótimas leituras em 2015.

Aqui vai a lista:

1 - Stoner, John Willians (Editora Rádio Londres)

Tanta gente falando sobre este livro e mesmo assim a leitura foi uma surpresa. Livro espetacular sobre a banalidade das nossas vidas.

Livro mais que recomendado. Uma pequena obra-prima.

2 - Meus Documentos, Alejandro Zambra (Cosac Naify) 

Em seu 4º livro, agora de contos, o autor chileno se mostra cada vez melhor. Meus documentos é composto de 11 contos que juntos formam quase uma síntese da produção do autor até agora e ainda vai além.

Zambra já está entre os meus autores favoritos, daqueles que você espera ansiosamente pelo próximo livro. Meus documentos é incrível. Falei mais sobre o livro aqui.

terça-feira, 22 de dezembro de 2015

[Mania de Listas] Retrospectiva de leituras do Eduardo

Por: Eduardo Rodrigues
2015 tá sendo mais um ano de muitas leituras incompletas, infelizmente. Disparado o ano em que mais precisei deixar de lado livros incríveis e maravilhosos, que com certeza cabem numa lista à parte dos meus melhores livros abandonados em 2015... Talvez eu até faça isso, provavelmente...


Porém, e justamente por esse fato, não vou listar as minhas melhores leituras do ano (até porque o vencedor é sempre o mesmo, imbatível e soberano Gabo). Esse meu top 10 será uma lista cronológica, ordenando livros que foram importantes e que me causaram impacto ao longo desse ano ímpar e repleto de surpresas... Espero que o editorial aprove! ;)

Vambora!!

Em janeiro, quando certo desencanto estava tomando conta dos meus dias, fui atrás de uma releitura leve, divertida e deliciosa na minha prateleira de favoritos. Tenho um bom leque de opções que me salvam a pele em momentos de renovação, e o Firmin, do Sam Savage, é uma preciosidade para os amantes dos livros e das bibliotecas e cumpre o papel de alegrar qualquer alma! Muito simpático e sensível, conta a história de um ratinho que vai ficando cada vez mais inteligente e sagaz à medida que devora os livros da biblioteca onde vive.