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terça-feira, 3 de março de 2015

Diário de Inverno - Paul Auster

"Há trinta e dois anos, ou seja, quase exatamente na metade da sua vida, veio a notícia de que seu pai tinha morrido na véspera, numa outra noite de janeiro cheia de neve, tal como esta, vento frio, tempestade, tudo igual, o tempo passando e no entanto não passando, tudo diferente e no entanto tudo na mesma, e ele não teve sorte o bastante para chegar a completar setenta e quatro anos. Tinha sessenta e seis, e como você sempre teve a certeza de que ele iria viver muito, nunca se sentiu compelido a dissipar a névoa que sempre houve entre vocês dois, e assim, à medida que você foi se dando conta da realidade daquela morte súbita e inesperada, veio uma sensação de tarefa não concluída, a frustração vazia de palavras que não foram ditas, de oportunidades que se perderam para sempre. Ele morreu na cama fazendo amor com a namorada, um homem saudável cujo coração inexplicavelmente parou de funcionar. 
(...)
Hoje faz trinta e dois anos, e você continua lamentando aquela partida abrupta desde então, pois o seu pai não viveu o bastante para ver que seu filho incompetente, desprovido de senso prático, não terminou num asilo para pobres, o que foi sua grande preocupação, mas ele precisaria de vários anos de vida a mais para compreender isso, e causa-lhe tristeza pensar que quando seu pai de sessenta e seis anos morreu nos braços da namorada, você ainda estava batalhando em todas as frentes, ainda comendo a poeira do fracasso." 
Página 33-34

Tenho uma história curiosa com o escritor Paul Auster.

Quando comecei a trabalhar numa livraria tinha 23 anos e uma enorme inexperiência em literatura contemporânea. Uma das coisas que mais me fascinava no começo era ficar olhando as estantes e pegar um livro de algum autor que eu desconhecia e quem sabe tentar ler. E lembro de olhar um autor chamado Paul Auster, que tinha mais de 7 livros na estante. E a 'coleção' do autor era diferente dos outros, vinha numa sobrecapa de papelão (devem existir termos mais técnicos que esse, mas outra expressão que eu ouvi foi "Parece uma caixa de ovo"). Não sei explicar muito bem, mas era a época do lançamento do livro Homem No Escuro e saíram várias notícias e reportagens sobre o autor. Fiquei curioso e não sabia por onde começar.

É sempre uma questão fundamental não é mesmo? Como começar a ler um autor que já tem vários livros publicados?

segunda-feira, 2 de março de 2015

Vida e obra de Terêncio Horto

André Dahmer talvez seja mais conhecido pelos seus personagens da série dos Malvados, principalmente pelo seu humor direto que muitas vezes chega a ser agressivo (num bom sentido, fique claro). Mas as tirinhas do poeta amargurado Terêncio Horto também merecem atenção.

Os quadrinhos do Terêncio são publicados em alguns jornais diários e foram compilados em um livro, o Vida e obra de Terêncio Horto. Como toda coletânea, há pontos fortes e fracos, mas é inegável que o personagem rende boas risadas e algum desconforto.

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2015

[Favoritos da casa] Bukowski

Por: Michelle Henriques

Conheci Bukowski por acaso. Quer dizer, conheci há muito tempo, sempre via o nome dele ali e aqui, quando as redes sociais ainda estavam engatinhando. Até que um dia, no finzinho de 2007, um amigo me emprestou uma pilha de livros e no meio estava O capitão saiu para o almoço e os marinheiros tomaram o navio de Charles Bukowski. Foi o primeiro livro dele que li e foi paixão instantânea.

Eu tinha quase 20 anos, sabia pouco de livros e da vida (não que hoje eu saiba muito, mas enfim...), e me identifiquei com tudo que eu li nos textos dele. Devorei todos os seus romances, parti para os contos, crônicas e até mesmo os caça-níqueis que as editoras lançam. Guardei as poesias para depois, elas requerem mais tempo, mais intimidade e eu também não quero esgotar toda a obra dele de uma vez.

Num rápido bater de olhos, fica a impressão que ele só fala sobre mulheres, bebida e vagabundagem. Dependendo da interpretação, pode parecer só isso, mas para mim sempre teve mais. Após ler biografias, entrevistas, ver documentários eu fiquei com a nítida impressão de que ele era uma pessoa muito solitária e que essas coisas eram placebos para ele. Inclusive, em algum texto ele disse que só não se matou por causa de sua única filha, Marina.

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2015

Uma Breve História do Tempo - Stephen Hawking

2014 foi um ano bem interessante para o lado nerd da força, não porque Hobbit chegou ao fim (aleluia, irmãos!) ou porque o universo expandido de Star Wars finalmente chegou às prateleiras de nossas livrarias (ainda que o "episódio VII" chegue para explodir a mitologia dos livros logo mais no final do ano, mas como vovó dizia: "Antes tarde do que nunca"), mas porque houve uma redescoberta interessante por parte do cinema da parte científica da FC. Primeiramente de maneira bem prática no último épico de Christopher Nolan, Interestelar, e depois de maneira bem simples na cine-biografia de Stephen Hawkings, A Teoria de Tudo. 

Interestelar pode não ser a obra prima de Nolan, mas ele tem coragem de tentar ser bem ousado a colocar tantas teorias de ciência moderna em um filme de quase horas, e eu me perguntei ao sair do cinema onde será que as pessoas começavam a viajar no filme, pois tenho certeza que quando o personagem de Cooper parece não envelhecer em sua viagem, enquanto sua filha vira uma Jessica Chastain pode ter sido confuso dependendo de sua intimidade com Física, Astronomia e velha máxima de Einstein: Tempo é relativo.

Se você ficou curioso em aprender mais sobre a atual visão das estrelas e astros, aquele que pode te guiar pelo caminho complexo do tempo e espaço, e como esses duas instâncias são quase indissociáveis, é Stephen Hawking. Ele foi alvo de uma cinebiografia agradável mas que não tem nada demais, A Teoria de Tudo, que ganhou o Oscar de melhor ator no domingo - um fato que podemos discutir bastante do ponto de vista de atuação -, mas é indiscutível que Hawking é uma das mentes mais brilhantes, senão a mais brilhante, no ramo da Astronomia. Agora isso não é porque suas teses científicas são fáceis de ler, e sim porque ele criou obras específicas que traduzem as grandes teorias em uma linguagem mais acessível para o grande público. E sendo assim, chegamos ao livro que começou tudo: Uma breve história do tempo, que em função do filme finalmente foi reeditado, pois estava há um tempão esgotado.

terça-feira, 24 de fevereiro de 2015

[SIAMESES] A Balada de Adam Henry & Pobre George

Por: Bruno Leite
Nos meus áureos tempos de livreiro, era comum ouvir quando apresentava determinado livro: "Ah, nossa, perece com a história daquele livro que saiu semana passada" ou um "Nossa, esse autor tem vergonha de copiar Fulano desse jeito não?" e realmente é bem capaz que eu e você encontremos semelhanças entre tantos livros que estão a nossa disposição. Para começar, eu chamo aqui meu muso absoluto, Ian McEwan com seu mais recente lançamento na terra papagali e do outro lado do Atlântico chamo a Paula Fox. Vamos às semelhanças:

Pobre George X A balada de Adam Henry
Em ambas sinopses temos duas pessoas, dignos representantes de uma classe média, no auge de suas crises de meia idade, que vão sublimar seus problemas afetivos com qualquer paliativo que lhes apareça de imediato. De um lado Fiona Maye, jurista reconhecida e respeitada na corte inglesa, do outro o professor George Mecklin professor da rede pública americana. Para os dois a vida matrimonial não está sendo uma coisa fácil: enquanto Fiona tem que lidar com propostas indecorosas do seu marido - particularmente uma besta humana que ainda não saiu da adolescência -, George faz consideráveis esforços para ver sua esposa mais feliz, como se mudar para uma área rual de Nova York. Nesse ponto acho interessante observarmos que nossos protagonistas levam muito a sério esse termo tão abstrato quanto moderno chamado: CARREIRA. Porém, eis que surge a figura de um jovem na vida desses tediosos seres, Adam Henry para Fiona e Ernest para George. Com esses jovens, os protagonistas procurarão uma maneira de dar um novo sentido para a letargia de seus respectivos cotidianos e é aqui que as semelhanças acabam.

segunda-feira, 23 de fevereiro de 2015

Uma Nova História do Poder

Há pouco menos de um mês aconteceu a edição de 2015 do Fórum de Davos. É nessa cidadezinha na Suíça que a elite mundial se reúne há três décadas: o comerciante. Bom, pelo menos é o que diz David Priestland, no interessante livro Uma Nova História do Poder, o poder se concentra entre comerciante, guerreiro e sábio.

Neste livro Priestlad se propõe a contar a história da humanidade a partir da interação das “castas” que ele define como detentoras do poder. Cada um desses personagens tem características próprias e autoexplicativas. O Guerreiro é o homem da guerra personificado em figuras como o soldado romano, cavalheiro medieval ou o navegador - explorador; o Sábio é o homem da burocracia, quem pensa na organização da sociedade, é quem pensa em longo prazo, o grão-vizir, os conselheiros, os ministros e algumas vezes um Rei, um ditador ou um presidente; e o comerciante é quem faz o comércio e as expedições para que isso aconteça.

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2015

[Tirando o pó] A perspicácia da independência

Por: Emanuela Siqueira
Imagem daqui
Quando você precisa, deseja ou mesmo pensa em comprar determinado título de livro, qual o primeiro lugar que vem à sua mente? Para leitores mais assíduos não é incomum ter a sua livraria ou sebo favorito, para aqueles que possuem pressa é fácil lembrar que uma grande rede de livrarias que possui uma filial perto do trabalho ou da estação do ônibus/metrô. Ou para quem quer evitar qualquer tipo de stress ou mesmo mora no interior, usar a internet é a melhor solução. Leitores e consumidores possuem seus próprios hábitos e modos de facilitar os processos de compra. A questão é que nem sempre nos perguntamos como um mercado se sustenta, como as grandes redes proliferam, como a Amazon, Submarino e Walmart conseguem praticar preços tão baixos ou como aquela livraria pequena perto da sua casa consegue se sustentar não colocando best-sellers na sua vitrine.

Desde que Jeff Bezos e a Amazon começaram um processo de globalização de seus livros e os e-books se tornaram uma realidade com celulares e computadores portáteis, as livrarias independentes e, inclusive, grandes redes, passaram a prestar mais atenção no mercado e começaram a se movimentar, buscando ações para sobreviverem no mercado livreiro de forma saudável e criativa. Em 2011 escrevi o texto A Perspicácia das Pequenas Livrarias no blog da livraria em que trabalho. Na época havia lido no The Guardian sobre a a associação de livreiros independentes da Inglaterra e a “Semana das Livrarias Independentes”, que acontece todo ano na segunda quinzena de junho, e que levou aos primeiros questionamentos sobre como os livreiros independentes no Brasil lidavam com o cotidiano e a realidade do mercado por aqui.


quinta-feira, 19 de fevereiro de 2015

Parafusos

A beleza dos quadrinhos (na minha singela opinião) é o mundo de possibilidades que ele permite. É possível abordar qualquer assunto e fazer coisas bacanas usando os seus recursos. E inventar outros. Ellen Forney usou os quadrinhos para falar de sua pofissão, além de ser uma forma de terapia, de escape e de confissão. E é sobre tudo isso Parafusos - mania, depressão, Michelangelo e eu.

Ellen é uma quadrinista que já teve uma série de relativo sucesso, mas que é cheia de ideias para novos projetos (os quais nunca consegue concluir por ter outras ideias legais), que planeja a sua grande festa de aniversário, na qual receberá amigos e familiares e fará uma performance, que pratica natação, além de uma série de exercícios... E nesse meio tempo resolve fazer terapia. E descobre que está na fase de euforia. Ellen é diagnosticada com um transtorno bipolar.

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2015

[Espanador apresenta] Mundaréu

Aqui n'O Espanador desde o inicio do blog, há quase 5 anos, sempre buscamos editoras e livros que fujam do comum. E é através das editoras independentes que conseguimos encontrar boas novidades.

No mês passado falamos sobre a editora Rádio Londres. Este mês escolhemos a editora Mundaréu.

Um dos motivos que escolhemos falar da Mundaréu é a escolha ousada dos seus livros. Não lembramos de ter visto outra editora se lançando no mercado com livros com a mesma temática.

São quatro livros lançados de uma vez (ou com o lançamento muito próximo um do outro) e todos remetem a um mesmo período: a 1ª Guerra Mundial, com a coleção "Linha do tempo".


quinta-feira, 12 de fevereiro de 2015

Ele está de volta

"... mas então veio essa maravilha tecnológica do espírito criador alemão; então veio o mouse.
Eram raras as invenções tão geniais assim.
Move-se o aparelhinho na mesa e, exatamente no mesmo instante em que fazemos isso, uma mãozinha se movimenta na tela. E caso queira tocar em um ponto do monitor, é só apertar o tal do mouse, e logo a mãozinha toca o ponto escolhido na tela. (...) Contudo, provou-se que aquele aparelho era um híbrido impressionante. Podia-se escrever com ele, mas também era possível, por meio de uma rede de fios, entrar em contato com todas as pessoas e instituições que também estivessem de acordo. Além disso - diferente do aparelho telefônico -, muitos participantes nem mesmo precisavam sentar-se diante do computador, apenas deixavam lá coisas para outras pessoas terem acesso na sua ausência, o que todos os comerciantes faziam.
(...) Essa tecnologia maravilhosa chamada 'inter-rede', ao contrário, oferecia simplesmente tudo a qualquer momento do dia e da noite. Tudo que tínhamos que fazer era buscar num dispositivo chamado Google e apertar o resultado com aquele aparelhinho fantástico: o mouse. E não demorei muito a perceber que, de qualquer forma, eu sempre caía no mesmo endereço: uma obra de consulta protogermânica chamada Wikipedia, fácil de reconhecer como um neologismo que mistura enciclopédia e o velho sangue explorador germânico dos vikings."
pgs 99 e 100

Numa tarde ensolarada Adolf Hitler acorda num terreno baldio. Começa a vagar por uma Berlim bem diferente da que conhecia. Acontece que o soninho do füher foi um pouco mais longo do esperado: ele acorda em 2011. Este é o mote de Ele está de volta.

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2015

[Drops] Cão Senso

Eu gosto de cachorros e sempre me surpreendi com a capacidade deles de serem tão próximos das pessoas. Observando os cachorros que passaram pela minha vida, me perguntava o que é necessário para domesticar tão completamente um bicho. Atrás da resposta dessa e de outras perguntas eu li diversos livros sobre cachorros, mas um dos melhores e mais inspiradores foi Cão Senso de John Bradshaw.

Nesse livro, Bradshaw, começa designando que cães domésticos são uma raça à parte de canídeos. Descendentes de lobos, mas sem boa parte do comportamento deles. O autor faz uma narrativa da domesticação desses proto cães, que nos permite começar a entender os cães modernos. Depois trata do adestramento com uma longa ressalva ao que as pessoas acreditam ser comportamento de matilha de lobos: o que se observa quando populações lupinas distintas são aprisionadas em territórios minúsculos e o comportamento de matilhas íntegras vivendo em seu habitat natural. Fui muito fã do Cesar Millan e suas técnicas mas depois desse capitulo me vi revendo meus conceitos.

terça-feira, 10 de fevereiro de 2015

Beijo Adolescente (1ª e 2ª Temporada) - Rafael Coutinho

Entre tantos casos de sucesso no cenário do quadrinho nacional (pensando no universo independente), acredito que exista um lugar especial pra série Beijo Adolescente do Rafael Coutinho.

Pra quem nunca ouviu falar, Beijo Adolescente é uma série iniciada em 2011 publicada na internet através do portal do IG e posteriormente transformado em livro de forma independente pelo selo Cachalote (que também pertence ao Rafael Coutinho). Foram impressos mil exemplares e a tiragem foi toda vendida.

A recepção do público foi boa e surgiu um novo projeto, diferente do que estamos acostumados. A opção de publicar o 2º volume veio através do Catarse, site de financiamento coletivo (já falamos aqui no blog sobre essa nova maneira de fazer quadrinhos). Tanto o 2º como o 3º volume (que está em produção) foram um sucesso e conseguiram atingir o valor necessário (mais do que isso na verdade) para serem publicados (além das recompensas para quem contribuiu no projeto).

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2015

[Espananews] A Flip 2015 já começou


Apesar de faltar cinco meses para sua abertura, podemos dizer que a Flip já começou.

Sempre são especulados inúmeros nomes para o posto de principal homenageado, e uma reclamação sempre recorrente é a falta de uma autora mulher como homenageada (depois de 12 anos, a única escritora foi Clarice Lispector), mas nada disso teve vez e o escolhido para esse ano foi Mário de Andrade.

Em 2015 completa-se 70 anos da morte de Mario de Andrade, e a partir do ano que vem sua obra entra em domínio público. Este ano ela ainda continua a ser publicada pela Nova Fronteira (Agir), que prometeu uma edição em quadrinhos de Macunaíma, com roteiro de Izabel Aleixo e arte de Kris Zullo, além da publicação do do romance inédito (e inacabado) Café.

Por que Mario de Andrade?

A Flip nos últimos dois anos não tem escolhido o caminho mais 'simples' e por isso vamos reproduzir a nota oficial sobre a escolha de Mario de Andrade: