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quinta-feira, 25 de junho de 2015

[Hello, editoras!] The Ever Trilogy

Tempos difíceis pedem medidas drásticas. Com o dinheiro curto eu me rendi definitivamente aos e-books. Uso Kobo (por enquanto, mas estou esperando o novo Kindle) e comprei alguns livros e baixei muitos outros no site da Cultura. Gastei em mais de 30 e-books o valor que gastaria em três ou quatro livros.

O grande "problema" dos livros grátis é que muito deles são o primeiro volume de uma trilogia. É uma estratégia meio traficante de drogas: te dou uma amostra, mas você tem que comprar as outras doses. Foi assim que eu descobri a "trilogia Ever" (The Ever Trilogy, no original) de Jasinda Wilder.

Pensa num novelão, daqueles cheios de reviravoltas, dramas, angustias, crises e um grande amor. Pensa numa história de amor, de perda, de superação, de perdão e recomeços. É  isso você encontra nos três livros dessa série.

A história a principio é bem simples: Ever e Caden se encontram pela primeira vez aos 15 anos num acampamento para jovens e promissores artistas. Ela pinta, faz escultura e se interessa por fotografia. Ele é um desenhista precoce e talentoso. Eles se interessam um pelo outro de um jeito inocente e gracioso e depois que acampamento termina eles mantém a amizade por cartas. Cartas escritas a mão são "personagens" charmosamente old fashion nas historias e nesses livos não poderia ser diferente: Cadem escreve em folhas de caderno simples e Ever escreve em papeis de carta especiais e perfumados. E cada carta cada um escreve sobre seus medos, suas esperanças suas tristezas.

sexta-feira, 19 de junho de 2015

[Drops] Não se esqueça de Paris

Romances epistolares foram bastante populares séculos atrás e volta e meia eles reaparecem, geralmente em romances "românticos". Não se esqueça de Paris, de Deborah Mckinlay, é um desses revivals.

Eu particularmente acho charmosa a ideia de que num nundo onde tudo é mensagem de texto digitais, que duas pessoas se proponham a sentar em frente a uma folha em branco e escrever (es-cre-ver!!) uma carta para alguém que nunca encontrou e que talvez nunca venha encontrar. É justamente essa premissa do livro. 

Eve Petworth é uma inglesa divorciada que sofre de síndrome do pânico e tenta, às vezes sem muito sucesso, ajudar na preparação do casamento da filha.

Do outro lado do Atlântico vive um dos escritores preferidos dela: Jasckon Cooper. Escritor best seller que está vivendo uma crise existencial e criativa depois de sua mulher o deixou por outra mulher. Num rompante de coragem Eve escreve uma carta para Cooper elogiando um livro seu e, a partir daí, eles estabelecem um rotina de troca de cartas.

segunda-feira, 15 de junho de 2015

A amiga genial

"Naquele último ano da escola fundamental, a riqueza se tornou uma ideia fixa. Falávamos dela  como nos romances se fala de uma caça ao tesouro. Dizíamos: quando ficarmos ricas, faremos isso e aquilo. Quem nos ouvia achava que a riqueza estivesse escondida em algum canto do bairro, dentro de arcas que, ao serem abertas, chegavam a reluzir, só à espera de que as descobríssemos. Depois, não sei por que, as coisas mudaram e começamos a associar o estudo ao dinheiro. Pensávamos que estudar muito nos levaria a escrever livros, e que os livros nos tornariam ricas. A riqueza era sempre um brilho de moedas de ouro trancadas em cofres inumeráveis, mas para alcançá-la bastava estudar e escrever um livro.

'Vamos escrever um, nós duas', disse Lila certa vez, e a coisa me encheu de alegria.

Talvez a ideia tenha ganhado corpo quando ela descobriu que a autora de Mulherzinhas ficou tao rica que deu uma parte de sua fortuna à família. Mas não tenho certeza. Pensamos sobre o assunto, eu disse que podíamos começar logo depois do exame de admissão. Ela concordou, mas não soube resistir. Enquanto eu tinha muito o que estudar, inclusive por causa das aulas vespertinas com Giglilola e a professora, ela estava mais livre, se lançou ao trabalho e escreveu um romance sem mim." pgs 63 e 64

Elena (Lenu) e Rafaella (Lila) são amigas há mais de sessenta anos. Certo dia, Lila some sem deixar vestígios. Roupas, documentos, fotos... Tudo foi levado ou "apagado". Como forma de vingança, ou ainda de resgatar a amiga perdida, Elena resolve escrever tudo que se lembra da história das duas. É assim que começa A amiga genial, primeiro volume da tetralogia Napolitana.

Antes de qualquer consideração sobre o livro, é preciso fazer um pequeno esclarecimento. Muitos foram os que compararam a série de Ferrante à do norueguês Karl Ove Knausgård (do qual também li o primeiro livro). Mas devo dizer que tratam-se de animais de espécies bem diferentes. É claro que há a semelhança no "objetivo" do livro (dizem que Ferrante trata de sua vida na tetralogia, que a Elena ser a narradora da história não é mero acaso), mas isso é muito pouco para se parelhar dois livros. A forma narrativa faz toda diferença aqui. Enquanto em Karl Ove temos uma narrativa muito autocentrada (para não dizer totalmente - e não digo isso como demérito), em Ferrante encontramos um panorama muito mais amplo, que vai além da relação de Lenu e Lila. O livro constrói o panorama de uma época e de um local muito específico. E isso faz toda a diferença na construção dos personagens. 

É preciso também mencionar o mistério Ferrante. O nome que assina o livro é o pseudônimo de uma autora que é reclusa, jamais se revelou e acredita que os livros, quando lançados, têm vida própria, não precisam de seus autores.

sexta-feira, 12 de junho de 2015

Os deuses somos nós

Tem uns livros que parecem nos "perseguir". Em março viajei e "tropecei" no livro de hoje numa dessas prateleiras de destaques. De volta da viagem, abro meu e-mail e lá está ele de novo, sendo vendido num preço especial. Dias depois entro numa livraria para comprar um "confort-book" e olha quem está bem na entrada da loja: Sapiens – Uma Breve História da Humanidade. Já que as deusas da literatura se esforçaram tanto para que eu encontrasse esse livro, me rendi ao destino e o comprei.

E foi uma das melhores compras da vida! 

O autor Yuval Noah Harari, consegue em pouco mais de 450 paginas traçar milênios de historia da humanidade de forma objetivante divertida.

Harari divide a historia da humanidade em "Revoluções". Essas revoluções, em sua maioria, são saltos cognitivos e tecnológicos. Inicia-se com os primeiros hominídeos se reconhecendo como indivíduos e grupos, passando pela criação da agricultura e domesticação dos animais, a criação do conceito de valor e a criação do dinheiro, a organização das religiões, das primeiras cidades, impérios, as grandes navegações a colonização do mundo pela Europa e o resultado de tudo isso: o mundo como é hoje. Paralelo a tudo isso, as pessoas descobrem a "ignorância" e a ciência passa a ser a força motriz do desenvolvimento da humanidade.

quarta-feira, 10 de junho de 2015

[Flip 2015] Richard Flanagan


Richard Flanagan talvez seja um dos maiores nomes desta edição da Flip. Apesar de ter (até ano passado) apenas um livro traduzido no país, A terrorista desconhecida (lançado em 2009 pela Companhia das Letras), em 2014 ele ganhou notoriedade ao vencer o prestigiado prêmio Man Booker Prize por O caminho estreito para os confins do norte (que será lançado este mês pelo selo Biblioteca Azul, da Globo Livros).

Nasceu na ilha da Tasmânia, Austrália em 1961. Richard abandonou a escola aos 16 anos, mas depois voltou a estudar na Universidade da Tasmânia. Em seguida, faz mestrado de Letras e História na Universidade de Oxford.

segunda-feira, 8 de junho de 2015

[Flip 2015] Leonardo Padura

 
Leonardo Padura Fuentes foi o primeiro quase nome desta Flip. Desde o começo do ano o nome dele circulava entre boatos de possíveis autores da Festa, mas nunca era confirmado. Isso só aconteceu na coletiva de imprensa que aconteceu no mês passado que anunciava a programação completa.

Padura nasceu em Havana, Cuba, em 1955. É formado em letras e já trabalhou como jornalista, crítico e escritor.

Autor de mais de 19 livros, nos anos 90 ficou mais conhecido por uma séries de livros policiais na tetralogia chamada "As quatros estações", formada pelos romances Paisaje de otoño, Passado perfeito, As máscaras e Ventos de Quaresma (os três últimos publicados aqui pela Companhia das Letras), que tinham como protagonistas o tenente Mario Conde. Mas foi com o lançamento do romance histórico O homem que amava os cachorros, publicado no Brasil pela editora Boitempo, que Padura ganhou reconhecimento mundial.

quinta-feira, 4 de junho de 2015

Como chegamos até aqui

"Como chegamos até aqui?” Este é o titulo de um dos livros mais interessante e divertido que eu li este ano, mas também é uma pergunta que quase ninguém se faz. 

O autor Steve Johnson nos conta como as invenções que fazem parte do nosso dia a dia surgiram. Ele nos mostra que toda tecnologia, longe de ser um insight de uma mente brilhante, é resultado de anos, às vezes séculos, de pequenas inovações desenvolvidas por varias pessoas. 

Em cada um dos capítulos uma tecnologia é apresentada por Johnson e é interessante o fato de ele deixar claro que o surgimento dessa nova tecnologia afeta a vida das pessoas de uma forma que vai muito além do que seu inventor imaginava.

Essa visão do impacto das invenções no vários aspectos da vida cotidiana das pessoas é realmente muito interessante. O vidro, por exemplo, era a principio somente algo bonito e ornamental. Porém, com o desenvolvimento das suas técnicas de produção, ele passou a ser usado para fabricar utensílios domésticos e um novo salto tecnológico e foi possível: criar lentes que seriam usadas como óculos, em telescópios, que permitiram observar que a Terra não era o centro do universo, além de ultimamente estar nas telas de celulares e tablets ultramodernos.

quarta-feira, 3 de junho de 2015

Bonsai – Alejandro Zambra

bonsai
(…) Quanto esta pensando em me cobrar por tudo isto?

Julio: Cem pesos?

Na verdade Julio está disposto até mesmo a trabalhar de graça, embora, definitivamente não tenha dinheiro sobrando. Para ele é um privilégio tomar café e fumar cigarrilhas om Gazmuri. Disse cem mil como antes dissera bom dia, maquinalmente. E continua escutando, fica um pouco atrás Gazmuri, diz amém a tudo que ele diz, embora preferisse escutar tudo,absorver informação, ficara, agora, cheio de informação:

Digamos que este será meu romance mais pessoal. é bem diferente dos anteriores. Vou resumi-lo um pouco pra você: Ele fica sabendo que uma das namoradas da juventude morreu.Com faz todas as manhãs, liga o rádio e ouve no obituário o nome da mulher. Dois nomes e dois sobrenomes. Tudo como começa assim.

Tudo o quê?

Tudo, absolutamente tudo. Bem,eu ligo para você, assim que tomar uma decisão.

E o que mais acontece?

Nada, o de sempre.Tudo vai para o saco. Eu telefono, então, assim que tomar uma decisão;
pág 62-63

Um casal toma decisão de comprar e cuidar de uma plantinha, que simbolizaria o amor imenso que os unia. Entretanto, com o passar do tempo, a perspectiva de que um dia a planta morreria os consumiu, pois todo o simbolismo pereceria com ela. Sendo assim, eles acabam lançando a planta no meio de várias plantas idênticas. Tardiamente, eles perceberam que perderam a planta do amor que os unia. Simbólico e triste, esse não é Bonsai e sim o conto que o romance/novela homenageia, "Tantalia", de Macedonino Fernández, que é um dos pais do modernismo argentino.

Não escondendo a admiração ao mestre argentino, Zambra constrói sua história escancaradamente apoiada no conto, que é o símbolo máximo do amor dos personagens principais dessa narrativa, retratados como Emilia e Julio, dois apaixonados pela literatura que tiveram um caso muito rápido e intenso na juventude. Entretanto, a história não vai pela mesma ramificação simbólica do amor presente no conto de Fernández e, apesar do simbolismo bem intrínseco presente em Bonsai, até mesmo na figura da árvore que vai surgir ao final da narrativa, ele pouco tem a ver com uma narrativa romântica e sim mais com uma narrativa sobre o pesar. Se Fernández foi um mestre do modernismo, Zambra em sua homenagem cria um romance bem moderno, o que pode atrair como repelir os leitores.

terça-feira, 2 de junho de 2015

Meus Documentos - Alejandro Zambra

"Meu pai era um computador, minha mãe, uma máquina de escrever.
Eu era um caderno vazio e agora sou um livro."
pg 31 - conto "Meus Documentos"

Meus Documentos é o quarto livro do escritor chileno Alejandro Zambra e o seu primeiro de contos.
Zambra sempre pareceu se aproximar, ainda que inconscientemente, das narrativas curtas. Bonsai e Vida privada das árvores são quase novelas e Formas de voltar para casa é um romance curto, apesar das suas 180 páginas.

E chegamos aos onze contos de Meus Documentos, livro mais recente do autor no Brasil (no Chile acabou de ser publicado um novo livro chamado Facsímil) e talvez a escolha dos contos seja um caminho até natural na tentativa de explorar formas novas de contar uma história. Para quem já leu os outros livros, fica evidente a evolução da escrita do autor a cada livro. E em Meus Documentos ele vai além e consegue entregar um livro melhor do que o excelente Formas de voltar para casa.

A boa notícia para quem nunca leu nada do autor: Meus documentos é um ótimo jeito de começar a ler a obra de Zambra. O livro é quase como uma síntese da obra do jovem escritor chileno. Todos os elementos que rodam o seu universo estão ali: sombra da ditadura, a dificuldade dos relacionamentos, amadurecimento, fragilidade, entre outros.

quinta-feira, 28 de maio de 2015

Kenobi

Acho que todo fã de Star Wars se perguntou, ao menos uma vez: "o que o Obi-Wan Kenobi ficou fazendo em Tatooine além de vigiar o Luke Skywalker?" Porque, vamos combinar, foi muito tempo para ficar só vigiando um garotinho... 

A resposta para (pelo menos parte) desta pergunta está em Kenobi, escrito por John Jackson Miller e publicado pela Aleph este ano no Brasil.

O livro se passa logo quando Obi-Wan chega a Tatooine para deixar Luke com os Lars. As coisas estão um pouco complicadas para os fazendeiros de umidade do lugar, já que eles estão sofrendo ataques frequentes do Povo da Areia. Mesmo fazendo de tudo para ter uma existência discreta, Obi-Wan acaba se envolvendo com as pessoas do oásis perto do lugar onde ele se estabeleceu. Esse envolvimento acaba por leva-lo a ter que interferir no conflito com o Povo da Areia e a descobrir um complô criado por um dos habitantes para extorquir dinheiro dos moradores locais.

Para quem espera algo como Herdeiro do Império, outro livro do universo Star Wars lançado no fim do ano passado, vai ficar um pouco decepcionado: a maior parte dos personagens são desconhecidos da mitologia e provavelmente nunca mais aparecerão numa outra história de Star Wars; o ritmo da narrativa é mais lento, então demora um pouquinho para que você entenda quem são essas personagens e o que elas têm a ver com o "passado obscuro" de Obi-Wan. 

quarta-feira, 27 de maio de 2015

[Colaboradora] As famosas receitas do Ana Maria Brogui

Por: Danusa Penna
Este livro virou um coringa para cozinheiros iniciantes ou medrosos com receitas práticas. Ana Maria Brogui começou como um vídeo, no Youtube, do publicitário Caio Novaes. Caio frequenta restaurantes até descobrir os seus maiores segredos. No seu vlog, Ana Maria Brogui, um campeão de visualização é a Cebola Empanada do Outback.Caio já tem o seu segundo livro de receitas que será lançado em breve.

O melhor desta obra é que facilita a vida para quem não tem familiaridade com o fogão. No feitio desta receita peguei uma dica numa aula de bolos da querida chef Helena Jang: para bolos de liquidificador deve-se misturar a farinha à parte por conta do glúten. Fizemos uma torta, por prevenção, misturei os líquidos da massa e à parte na mão a farinha e o fermento.

Acho que a receita de hoje, para o perfil d'O Espanador, é perfeita: comidas gostosas e simples.

terça-feira, 26 de maio de 2015

[Flip 2015] Karina Buhr

Foto: Caroline Bittencourt
Karina Buhr é mais conhecida por sua carreira de cantora. Mas será pelo seu trabalho como escritora que ela participará da Flip este ano. Karina acaba de lançar uma coletânea de crônicas, poemas e ilustrações chamada Desperdiçando rima pelo selo Fábrica 231 da editora Rocco. O material do livro é diverso; alguns poemas foram musicados, alguns textos foram publicados pela Revista da Cultura (revista mensal da Livraria Cultura), onde é contribuidora há três anos.

segunda-feira, 25 de maio de 2015

Iniciantes - Raymond Carver

"E certas coisas à nossa volta vão mudar, ficar mais fáceis ou mais difíceis, uma coisa aqui, outra ali, mas nada jamais será diferente de verdade. Acredito nisso. Tomamos nossas decisões, nossas vidas foram postas em movimento e vão seguir adiante, até a hora em que vão parar. Mas, se isso for mesmo verdade, e daí? Quer dizer, a gente acredita nisso, e mantém isso escondido, até que um dia acontece uma coisa que devia mudar tudo, só que aí a gente vê que, no final das contas, nada vai mudar. E daí?  Enquanto isso, as pessoas em volta da gente continuam a falar e a agir como se a gente fosse a mesma pessoa do dia anterior, ou da noite anterior, ou de cinco minutos antes, mas na verdade a gente está passando por uma crise, o coração sente que sofreu um estrago...

O passado está obscurecido. É como se tivesse uma película por cima daqueles anos iniciais. Não posso ter certeza de que as coisas que lembro que aconteceram tenham acontecido de fato comigo. Havia uma garota, que tinha pai e mãe - o pai era gerente de um pequeno bar, onde a mãe trabalhava de garçonete e caixa -, uma garota que, como num sonho, passou pela escola primária, escola secundária e depois, em um ou dois anos, pela escola de secretariado. Mais tarde, muito mais trade - o que aconteceu nesse meio-tempo? -, lá está ela numa outra cidade, trabalhando de recepcionista numa firma de componente eletrônicos, e faz amizade com um engenheiro que pede para sair com ela. No final, vendo que esse é o objetivo dele, se deixa seduzir. Ela tem uma intuição, naquele momento, uma sacada repentina a respeito da sedução, que mais tarde, por mais que ela tente, não consegue lembrar. Após um breve tempo, os dois resolvem casar, mas o passado, o passado dela, já está escoando depressa. O futuro é uma coisa que ela não consegue imaginar" 

Trecho do conto "Coreto", em Iniciantes

Talvez eu não estivesse emocionalmente preparado para o turbilhão de emoções que são os contos do escritor americano Raymond Carver. O livro que me apresentou a curta obra do autor foi Iniciantes, publicado aqui em 2009 pela Companhia das Letras. Poucas vezes um livro me deixou tao impressionado como este. 


Seus contos são precisos e possuem um ritmo e estilo únicos. Existe uma simplicidade na escolha dos seus temas e principalmente na forma de contar essas histórias que escondem um domínio assombroso da sua técnica. Lendo sobre a vida do autor, descobri que ele não gostava de que chamassem a sua escrita de minimalista, mas essa pode ser uma maneira de classificar o estilo de Carver.